Uma árvore com raízes fortes ri-se da tempestade.
Provérbio Malaio
sábado, 3 de março de 2012
sexta-feira, 2 de março de 2012
SEBASTIÃO SALGADO
Sebastião Salgado nasceu em 1944 em Aimorés do estado de Minas Gerais, (Brasil). É um dos maiores fotojornalistas mundiais. Demarca-se por uma obra bastante original que se debruça sobretudo nos movimentos das populações mais desfavorecidas da sociedade.
Tem cerca de dez livros publicados de fotografia, onde se destacam os títulos Trabalhadores – 1993; Terra – 1997 e Êxodos – 2000.
Sebastião Salgado nasceu em 1944 em Aimorés do estado de Minas Gerais, (Brasil). É um dos maiores fotojornalistas mundiais. Demarca-se por uma obra bastante original que se debruça sobretudo nos movimentos das populações mais desfavorecidas da sociedade.
Tem cerca de dez livros publicados de fotografia, onde se destacam os títulos Trabalhadores – 1993; Terra – 1997 e Êxodos – 2000.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Pina Bausch
Pina Bausch nasceu em 1949 em Solingen, (Alemanha) e faleceu em 2009 em Wuppertal, (Alemanha). Foi coreógrafa, dançarina, pedagoga de dança e directora da Tanztheater Wuppertal Pina Bausch.
Renovou a dança-teatro através de contraposições estéticas associadas a uma linguagem corporal de estrema originalidade.
Participou na longa metragem Hable Con Ella do realizador Pedro Almodóvar.
Recentemente, Wim Wenders realizou um filme sobre Pina Bausch intitulado Pina.
Pina Bausch nasceu em 1949 em Solingen, (Alemanha) e faleceu em 2009 em Wuppertal, (Alemanha). Foi coreógrafa, dançarina, pedagoga de dança e directora da Tanztheater Wuppertal Pina Bausch.
Renovou a dança-teatro através de contraposições estéticas associadas a uma linguagem corporal de estrema originalidade.
Participou na longa metragem Hable Con Ella do realizador Pedro Almodóvar.
Recentemente, Wim Wenders realizou um filme sobre Pina Bausch intitulado Pina.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Sétimo livro de Luís Aguiar
DESARRUMAÇÃO DO FRIO
prémio literário externato de Vila Meã/Editora Labirinto
Regressa ausente como um filho bíblico
perdido
ou traz em verdade um golpe no respirar
O álgebra em ritmo queimar-te-á a língua
também os meus dentes me doem
quando fustigo as urtigas
O início
brasa madre que tatua o pensamento
não saberei procurar
outra coisa sal talvez ou uma rosa
aperfeiçoada pela guerra
Embora o sono esteja desarrumado
canta o canto
porque é breve a ondulação do lume
enrolar-se-á sempre ao ventre
enchê-lo-á
com o bater velocíssimo do sémen
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Como dói o odor da memória
O corpo
suporta a pressão das palavras
estaca de água suada
e num tendão fistulam-se
os nervos
O homem nasce
na transpiração das veias
como hei-de dizer?
As mãos lavadas de Pôncio Pilatos
com os tecidos da cruz
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Tocar com a língua doce
o sorvo do sangue
cosida veia ao coração
A carne recua
às proximidades do barro
Sempre a mão incendiou
a vogal
a luz treme áspera sob a roupa
Há-de alguém encher o vento
agudo número
retalhado pela faca
Canto cob-
alto
diz a canta da água
Aflige-se a poeira
ao voltar a ser sangue
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
O frio sangue da mãe aqueceu o choro
da minha luz
sua vulva incomodamente de vigia
Vim do desconhecido
o filamento de carne
fronteira ou porta onde o filho canta
por ter consumado o rasgo
das pétalas maternas
E este lume é o primeiro indício
de amor
envelhecido na desfasada placenta
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Traço a traça do respiro
o sangue ecoa pelas veias –
o sangue escoa pelo sangue
O anjo mau dentro de Caim
o início do homem pensado por Kubrick
um macaco a alvorecer a melancolia
e o alimento
antigo mármore em ferida ao alto
curva de sopro
os cornos do anjo a roçarem o céu
furiosamente
com o lume a precipitar-se dos olhos
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Luís Aguiar
Editora Labirinto 2011
DESARRUMAÇÃO DO FRIO
prémio literário externato de Vila Meã/Editora Labirinto
Regressa ausente como um filho bíblico
perdido
ou traz em verdade um golpe no respirar
O álgebra em ritmo queimar-te-á a língua
também os meus dentes me doem
quando fustigo as urtigas
O início
brasa madre que tatua o pensamento
não saberei procurar
outra coisa sal talvez ou uma rosa
aperfeiçoada pela guerra
Embora o sono esteja desarrumado
canta o canto
porque é breve a ondulação do lume
enrolar-se-á sempre ao ventre
enchê-lo-á
com o bater velocíssimo do sémen
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Como dói o odor da memória
O corpo
suporta a pressão das palavras
estaca de água suada
e num tendão fistulam-se
os nervos
O homem nasce
na transpiração das veias
como hei-de dizer?
As mãos lavadas de Pôncio Pilatos
com os tecidos da cruz
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Tocar com a língua doce
o sorvo do sangue
cosida veia ao coração
A carne recua
às proximidades do barro
Sempre a mão incendiou
a vogal
a luz treme áspera sob a roupa
Há-de alguém encher o vento
agudo número
retalhado pela faca
Canto cob-
alto
diz a canta da água
Aflige-se a poeira
ao voltar a ser sangue
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
O frio sangue da mãe aqueceu o choro
da minha luz
sua vulva incomodamente de vigia
Vim do desconhecido
o filamento de carne
fronteira ou porta onde o filho canta
por ter consumado o rasgo
das pétalas maternas
E este lume é o primeiro indício
de amor
envelhecido na desfasada placenta
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Traço a traça do respiro
o sangue ecoa pelas veias –
o sangue escoa pelo sangue
O anjo mau dentro de Caim
o início do homem pensado por Kubrick
um macaco a alvorecer a melancolia
e o alimento
antigo mármore em ferida ao alto
curva de sopro
os cornos do anjo a roçarem o céu
furiosamente
com o lume a precipitar-se dos olhos
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Luís Aguiar
Editora Labirinto 2011
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Charlie Chaplin
Charlie Chaplin nasceu em Londres (Inglaterra) em 1889 e faleceu em Corsier-sur-Vevey (Suiça) em 1977. Foi actor (do cinema mudo), produtor, comediante e dançarino entre outras profissões.
Charlie Chaplin nasceu em Londres (Inglaterra) em 1889 e faleceu em Corsier-sur-Vevey (Suiça) em 1977. Foi actor (do cinema mudo), produtor, comediante e dançarino entre outras profissões.
Acredito no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror.
Eu continuo a ser uma coisa só, apenas um palhaço, o que me coloca a um nível bem mais alto que o de qualquer político.
Não creio em nada e de nada descreio. O que concebe a imaginação aproxima-nos tanto da verdade como o que pode provar a matemática.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
DOIS NOMES DUAS VOZES
António Ramos Rosa | Antonio Gamoneda
António Ramos Rosa
António Ramos Rosa nasceu em Faro em 1924. É uma das grandes vozes da poesia portuguesa, foi distinguido em vários prémios literários.
A biblioteca de Faro tem o seu nome.
Nascimento último (pág.25)
Como se não tivesse substância e de membros apagados.
Desejaria enrolar-me numa folha e dormir na sombra.
E germinar no sono, germinar na árvore.
Tudo acabaria na noite, lentamente, sob uma chuva
densa.
Tudo acabaria pelo mais alto desejo num sorriso de nada.
No encontro e no abandono, na última nudez,
respiraria ao ritmo do vento, na relação mais viva.
Seria de novo o gérmen que fui, o rosto indivisível.
E ébrias as palavras diriam o vinho e a argila
e o repouso do ser no ser, os seus obscuros terraços.
Entre rumores e rios a morte perder-se-ia.
Dentro da Árvore (pág.17)
Por entre os ramos e as sombras sem tristeza
em claro e sonâmbulo vagar
mais baixo do que o dia com suas lâmpadas de espuma
em abóbadas de sombra entre o verde e a cinza.
Era a terra do sono e da solidão e da partilha
e a respiração da ausência. O destino
era próximo da mesa da folhagem, a sede
calma. E o sentido era um sonho
que se encarnava num flanco aberto.
Porque nascíamos em núpcias transparentes
com o ar adormecido num meio dia completo.
Porque no fundo escuro amávamos a altura verde
e recebíamos a frescura de uns dedos ignorados.
editora
in-libris
sociedade para a promoção do livro e da cultura
Antonio Gamoneda
Antonio Gamoneda nasceu em Oviedo (Astúrias - Espanha) em 1931. Reside em León desde 1934 onde dirigiu a Fundación Sierra-Pambley. É um poeta e crítico de arte de nacionalidade espanhola. Venceu o Prémio Cervantes em 2006 e é doutor honoris causa pela Universidad de León.
Aún | Ainda (pág. 78/79)
Hay una hierba cuyo nombre no se sabe; así ha sido
mi vida.
Vuelvo a casa atravesando el invierno: olvido y luz
sobre las ropas húmedas. Los espejos están vacíos y
en los platos ciega la soledad.
Ah la pureza de los cuchillos abandonados.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Há uma erva cujo nome não se sabe; assim foi a
minha vida.
Regresso a casa atravessando o Inverno: esquecimento
e luz sobre as roupas húmidas. Os espelhos estão
vazios e nos pratos cega a solidão.
Ah a pureza das facas abandonadas.
Sábado | Sábado (pág. 136/137)
Estoy desnudo ante el agua inmóvil. He dejado mi
ropa en el silencio de las últimas ramas.
Esto era el destino:
llegar al borde y tener miedo de la quietud del agua.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Estou nu diante da água imóvel. Deixei minha roupa
no silêncio dos últimos ramos.
Isto era o destino:
chegar à margem e ter medo da quietude da água.
antonio gamoneda
livro do frio
trad. de José bento
assírio & alvim
1999
António Ramos Rosa | Antonio Gamoneda
António Ramos Rosa
António Ramos Rosa nasceu em Faro em 1924. É uma das grandes vozes da poesia portuguesa, foi distinguido em vários prémios literários.
A biblioteca de Faro tem o seu nome.
Nascimento último (pág.25)
Como se não tivesse substância e de membros apagados.
Desejaria enrolar-me numa folha e dormir na sombra.
E germinar no sono, germinar na árvore.
Tudo acabaria na noite, lentamente, sob uma chuva
densa.
Tudo acabaria pelo mais alto desejo num sorriso de nada.
No encontro e no abandono, na última nudez,
respiraria ao ritmo do vento, na relação mais viva.
Seria de novo o gérmen que fui, o rosto indivisível.
E ébrias as palavras diriam o vinho e a argila
e o repouso do ser no ser, os seus obscuros terraços.
Entre rumores e rios a morte perder-se-ia.
Dentro da Árvore (pág.17)
Por entre os ramos e as sombras sem tristeza
em claro e sonâmbulo vagar
mais baixo do que o dia com suas lâmpadas de espuma
em abóbadas de sombra entre o verde e a cinza.
Era a terra do sono e da solidão e da partilha
e a respiração da ausência. O destino
era próximo da mesa da folhagem, a sede
calma. E o sentido era um sonho
que se encarnava num flanco aberto.
Porque nascíamos em núpcias transparentes
com o ar adormecido num meio dia completo.
Porque no fundo escuro amávamos a altura verde
e recebíamos a frescura de uns dedos ignorados.
editora
in-libris
sociedade para a promoção do livro e da cultura
Antonio Gamoneda
Antonio Gamoneda nasceu em Oviedo (Astúrias - Espanha) em 1931. Reside em León desde 1934 onde dirigiu a Fundación Sierra-Pambley. É um poeta e crítico de arte de nacionalidade espanhola. Venceu o Prémio Cervantes em 2006 e é doutor honoris causa pela Universidad de León.
Aún | Ainda (pág. 78/79)
Hay una hierba cuyo nombre no se sabe; así ha sido
mi vida.
Vuelvo a casa atravesando el invierno: olvido y luz
sobre las ropas húmedas. Los espejos están vacíos y
en los platos ciega la soledad.
Ah la pureza de los cuchillos abandonados.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Há uma erva cujo nome não se sabe; assim foi a
minha vida.
Regresso a casa atravessando o Inverno: esquecimento
e luz sobre as roupas húmidas. Os espelhos estão
vazios e nos pratos cega a solidão.
Ah a pureza das facas abandonadas.
Sábado | Sábado (pág. 136/137)
Estoy desnudo ante el agua inmóvil. He dejado mi
ropa en el silencio de las últimas ramas.
Esto era el destino:
llegar al borde y tener miedo de la quietud del agua.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Estou nu diante da água imóvel. Deixei minha roupa
no silêncio dos últimos ramos.
Isto era o destino:
chegar à margem e ter medo da quietude da água.
antonio gamoneda
livro do frio
trad. de José bento
assírio & alvim
1999
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