PRÉMIO LITERÁRIO MANUEL MARIA BARBOSA DU BOCAGE 2016
"Quantas Madrugadas Precisamos Para Fermentar Um Pão?"
ESCREVER
Escrever com os dentes
uma rara palavra.
O seu pólen, doce de areia.
Escrever com os dentes
a palavra sangue.
Louva-a-deus que nos reze –
a poesia estendida ao vento.
AVIÃO DE PAPEL
Dir-te-ei, amor, que tenho em mim vogais descascadas
por um frio que encontrei num avião de papel.
Perdi a memória numa folha branca
e agora não me importo que me leves para o amanhecer
de uma lágrima.
A morte também sobe pelas veias
e ao escrever-te as palavras sangraram.
Dir-te-ei que agora é o fogo dentro do coração,
lume que me aquece o pão de maio.
A vida começa onde morrem as estrelas
e tu acolheste-me nesse aconchego de palha e sal.
Amor, o sol ainda é um fruto vermelho
que amadureceu o barro de que é feito o meu corpo –
carne antiga despida de centauros
e resina de campos embriagados por aves solares.
Dir-te-ei, amor, que perdi as mãos. Já não rezarei contigo
porque a morte também sobe pelas veias
e ao escrever-te as palavras sangraram,
tristes palavras numa oração sem mãos.
Agora, amor, apenas um vento com areais,
sulcos de água e prados de fogo me consolarão o sangue,
tudo porque a morte também sobe pelas veias
e ao escrever-te as palavras sangraram.
Dir-te-ei, amor, que entrarei nesse avião de papel
e partirei para a água azul do meu corpo estendido
que o teu nome, amor, iluminou num dia de chuva.
MOINHO
Sei que a água que corre em teu dorso
fugiu de um monte alvorecido.
As mãos descansaram no teu ruído de água.
As mesmas mãos que comeram do teu pão
e beberam do teu suor amadurecido.
Nas tuas pedras, porém, ainda vive o frio
e a solidão dos gatos que ladram aos telhados.
SILÊNCIO
Muda palavra
de magnitude 9.9 na escala de Richter.
LUGAR
Sentei-me no branco muro
agora reconciliado com as sombras,
e vi o mundo partir
sem que eu lhe pudesse acenar.
Procurei os velhos pomares
onde aprendemos a beijar as maçãs
e a soprar pequenos ventos aos figos de mel.
Agora, as veias perderam sangue
e o rosto extinguiu-se nas ruas
onde o amor foi abandonado.
Não te sentes lá fora,
a chuva e a vida não tardarão em tuas veias.
Luís Aguiar
domingo, 18 de dezembro de 2016
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
quarta-feira, 20 de junho de 2012
MARIA KEIL

Maria Pires da Silva Keil do Amaral nasceu em Silves, 9 de Agosto de 1914 - Lisboa, e faleceu a 10 de Junho de 2012.
Foi uma pintora portuguesa e pertenceu à 2ª geração de pintores modernistas portugueses. Ao longo da vida utilizou, com enorme liberdade de movimentos, uma linguagem que articulou entre a figuração e o universo formal frequentemente geometrizado, simplificado.
Sobre a obra de Maria Keil escreveram:
Misturando linguagens e valores, Maria Keil pressente a via de uma condição contemporânea que reutiliza sucessivas e díspares poéticas como signos operativos, visando a disponibilidade absoluta do entrosamento das formas e das cores.



Maria Pires da Silva Keil do Amaral nasceu em Silves, 9 de Agosto de 1914 - Lisboa, e faleceu a 10 de Junho de 2012.
Foi uma pintora portuguesa e pertenceu à 2ª geração de pintores modernistas portugueses. Ao longo da vida utilizou, com enorme liberdade de movimentos, uma linguagem que articulou entre a figuração e o universo formal frequentemente geometrizado, simplificado.
Sobre a obra de Maria Keil escreveram:
Misturando linguagens e valores, Maria Keil pressente a via de uma condição contemporânea que reutiliza sucessivas e díspares poéticas como signos operativos, visando a disponibilidade absoluta do entrosamento das formas e das cores.


sexta-feira, 2 de março de 2012
SEBASTIÃO SALGADO
Sebastião Salgado nasceu em 1944 em Aimorés do estado de Minas Gerais, (Brasil). É um dos maiores fotojornalistas mundiais. Demarca-se por uma obra bastante original que se debruça sobretudo nos movimentos das populações mais desfavorecidas da sociedade.
Tem cerca de dez livros publicados de fotografia, onde se destacam os títulos Trabalhadores – 1993; Terra – 1997 e Êxodos – 2000.
Sebastião Salgado nasceu em 1944 em Aimorés do estado de Minas Gerais, (Brasil). É um dos maiores fotojornalistas mundiais. Demarca-se por uma obra bastante original que se debruça sobretudo nos movimentos das populações mais desfavorecidas da sociedade.
Tem cerca de dez livros publicados de fotografia, onde se destacam os títulos Trabalhadores – 1993; Terra – 1997 e Êxodos – 2000.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Pina Bausch
Pina Bausch nasceu em 1949 em Solingen, (Alemanha) e faleceu em 2009 em Wuppertal, (Alemanha). Foi coreógrafa, dançarina, pedagoga de dança e directora da Tanztheater Wuppertal Pina Bausch.
Renovou a dança-teatro através de contraposições estéticas associadas a uma linguagem corporal de estrema originalidade.
Participou na longa metragem Hable Con Ella do realizador Pedro Almodóvar.
Recentemente, Wim Wenders realizou um filme sobre Pina Bausch intitulado Pina.
Pina Bausch nasceu em 1949 em Solingen, (Alemanha) e faleceu em 2009 em Wuppertal, (Alemanha). Foi coreógrafa, dançarina, pedagoga de dança e directora da Tanztheater Wuppertal Pina Bausch.
Renovou a dança-teatro através de contraposições estéticas associadas a uma linguagem corporal de estrema originalidade.
Participou na longa metragem Hable Con Ella do realizador Pedro Almodóvar.
Recentemente, Wim Wenders realizou um filme sobre Pina Bausch intitulado Pina.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Sétimo livro de Luís Aguiar
DESARRUMAÇÃO DO FRIO
prémio literário externato de Vila Meã/Editora Labirinto
Regressa ausente como um filho bíblico
perdido
ou traz em verdade um golpe no respirar
O álgebra em ritmo queimar-te-á a língua
também os meus dentes me doem
quando fustigo as urtigas
O início
brasa madre que tatua o pensamento
não saberei procurar
outra coisa sal talvez ou uma rosa
aperfeiçoada pela guerra
Embora o sono esteja desarrumado
canta o canto
porque é breve a ondulação do lume
enrolar-se-á sempre ao ventre
enchê-lo-á
com o bater velocíssimo do sémen
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Como dói o odor da memória
O corpo
suporta a pressão das palavras
estaca de água suada
e num tendão fistulam-se
os nervos
O homem nasce
na transpiração das veias
como hei-de dizer?
As mãos lavadas de Pôncio Pilatos
com os tecidos da cruz
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Tocar com a língua doce
o sorvo do sangue
cosida veia ao coração
A carne recua
às proximidades do barro
Sempre a mão incendiou
a vogal
a luz treme áspera sob a roupa
Há-de alguém encher o vento
agudo número
retalhado pela faca
Canto cob-
alto
diz a canta da água
Aflige-se a poeira
ao voltar a ser sangue
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
O frio sangue da mãe aqueceu o choro
da minha luz
sua vulva incomodamente de vigia
Vim do desconhecido
o filamento de carne
fronteira ou porta onde o filho canta
por ter consumado o rasgo
das pétalas maternas
E este lume é o primeiro indício
de amor
envelhecido na desfasada placenta
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Traço a traça do respiro
o sangue ecoa pelas veias –
o sangue escoa pelo sangue
O anjo mau dentro de Caim
o início do homem pensado por Kubrick
um macaco a alvorecer a melancolia
e o alimento
antigo mármore em ferida ao alto
curva de sopro
os cornos do anjo a roçarem o céu
furiosamente
com o lume a precipitar-se dos olhos
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Luís Aguiar
Editora Labirinto 2011
DESARRUMAÇÃO DO FRIO
prémio literário externato de Vila Meã/Editora Labirinto
Regressa ausente como um filho bíblico
perdido
ou traz em verdade um golpe no respirar
O álgebra em ritmo queimar-te-á a língua
também os meus dentes me doem
quando fustigo as urtigas
O início
brasa madre que tatua o pensamento
não saberei procurar
outra coisa sal talvez ou uma rosa
aperfeiçoada pela guerra
Embora o sono esteja desarrumado
canta o canto
porque é breve a ondulação do lume
enrolar-se-á sempre ao ventre
enchê-lo-á
com o bater velocíssimo do sémen
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Como dói o odor da memória
O corpo
suporta a pressão das palavras
estaca de água suada
e num tendão fistulam-se
os nervos
O homem nasce
na transpiração das veias
como hei-de dizer?
As mãos lavadas de Pôncio Pilatos
com os tecidos da cruz
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Tocar com a língua doce
o sorvo do sangue
cosida veia ao coração
A carne recua
às proximidades do barro
Sempre a mão incendiou
a vogal
a luz treme áspera sob a roupa
Há-de alguém encher o vento
agudo número
retalhado pela faca
Canto cob-
alto
diz a canta da água
Aflige-se a poeira
ao voltar a ser sangue
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
O frio sangue da mãe aqueceu o choro
da minha luz
sua vulva incomodamente de vigia
Vim do desconhecido
o filamento de carne
fronteira ou porta onde o filho canta
por ter consumado o rasgo
das pétalas maternas
E este lume é o primeiro indício
de amor
envelhecido na desfasada placenta
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Traço a traça do respiro
o sangue ecoa pelas veias –
o sangue escoa pelo sangue
O anjo mau dentro de Caim
o início do homem pensado por Kubrick
um macaco a alvorecer a melancolia
e o alimento
antigo mármore em ferida ao alto
curva de sopro
os cornos do anjo a roçarem o céu
furiosamente
com o lume a precipitar-se dos olhos
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Luís Aguiar
Editora Labirinto 2011
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Charlie Chaplin
Charlie Chaplin nasceu em Londres (Inglaterra) em 1889 e faleceu em Corsier-sur-Vevey (Suiça) em 1977. Foi actor (do cinema mudo), produtor, comediante e dançarino entre outras profissões.
Charlie Chaplin nasceu em Londres (Inglaterra) em 1889 e faleceu em Corsier-sur-Vevey (Suiça) em 1977. Foi actor (do cinema mudo), produtor, comediante e dançarino entre outras profissões.
Acredito no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror.
Eu continuo a ser uma coisa só, apenas um palhaço, o que me coloca a um nível bem mais alto que o de qualquer político.
Não creio em nada e de nada descreio. O que concebe a imaginação aproxima-nos tanto da verdade como o que pode provar a matemática.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
DOIS NOMES DUAS VOZES
António Ramos Rosa | Antonio Gamoneda
António Ramos Rosa
António Ramos Rosa nasceu em Faro em 1924. É uma das grandes vozes da poesia portuguesa, foi distinguido em vários prémios literários.
A biblioteca de Faro tem o seu nome.
Nascimento último (pág.25)
Como se não tivesse substância e de membros apagados.
Desejaria enrolar-me numa folha e dormir na sombra.
E germinar no sono, germinar na árvore.
Tudo acabaria na noite, lentamente, sob uma chuva
densa.
Tudo acabaria pelo mais alto desejo num sorriso de nada.
No encontro e no abandono, na última nudez,
respiraria ao ritmo do vento, na relação mais viva.
Seria de novo o gérmen que fui, o rosto indivisível.
E ébrias as palavras diriam o vinho e a argila
e o repouso do ser no ser, os seus obscuros terraços.
Entre rumores e rios a morte perder-se-ia.
Dentro da Árvore (pág.17)
Por entre os ramos e as sombras sem tristeza
em claro e sonâmbulo vagar
mais baixo do que o dia com suas lâmpadas de espuma
em abóbadas de sombra entre o verde e a cinza.
Era a terra do sono e da solidão e da partilha
e a respiração da ausência. O destino
era próximo da mesa da folhagem, a sede
calma. E o sentido era um sonho
que se encarnava num flanco aberto.
Porque nascíamos em núpcias transparentes
com o ar adormecido num meio dia completo.
Porque no fundo escuro amávamos a altura verde
e recebíamos a frescura de uns dedos ignorados.
editora
in-libris
sociedade para a promoção do livro e da cultura
Antonio Gamoneda
Antonio Gamoneda nasceu em Oviedo (Astúrias - Espanha) em 1931. Reside em León desde 1934 onde dirigiu a Fundación Sierra-Pambley. É um poeta e crítico de arte de nacionalidade espanhola. Venceu o Prémio Cervantes em 2006 e é doutor honoris causa pela Universidad de León.
Aún | Ainda (pág. 78/79)
Hay una hierba cuyo nombre no se sabe; así ha sido
mi vida.
Vuelvo a casa atravesando el invierno: olvido y luz
sobre las ropas húmedas. Los espejos están vacíos y
en los platos ciega la soledad.
Ah la pureza de los cuchillos abandonados.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Há uma erva cujo nome não se sabe; assim foi a
minha vida.
Regresso a casa atravessando o Inverno: esquecimento
e luz sobre as roupas húmidas. Os espelhos estão
vazios e nos pratos cega a solidão.
Ah a pureza das facas abandonadas.
Sábado | Sábado (pág. 136/137)
Estoy desnudo ante el agua inmóvil. He dejado mi
ropa en el silencio de las últimas ramas.
Esto era el destino:
llegar al borde y tener miedo de la quietud del agua.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Estou nu diante da água imóvel. Deixei minha roupa
no silêncio dos últimos ramos.
Isto era o destino:
chegar à margem e ter medo da quietude da água.
antonio gamoneda
livro do frio
trad. de José bento
assírio & alvim
1999
António Ramos Rosa | Antonio Gamoneda
António Ramos Rosa
António Ramos Rosa nasceu em Faro em 1924. É uma das grandes vozes da poesia portuguesa, foi distinguido em vários prémios literários.
A biblioteca de Faro tem o seu nome.
Nascimento último (pág.25)
Como se não tivesse substância e de membros apagados.
Desejaria enrolar-me numa folha e dormir na sombra.
E germinar no sono, germinar na árvore.
Tudo acabaria na noite, lentamente, sob uma chuva
densa.
Tudo acabaria pelo mais alto desejo num sorriso de nada.
No encontro e no abandono, na última nudez,
respiraria ao ritmo do vento, na relação mais viva.
Seria de novo o gérmen que fui, o rosto indivisível.
E ébrias as palavras diriam o vinho e a argila
e o repouso do ser no ser, os seus obscuros terraços.
Entre rumores e rios a morte perder-se-ia.
Dentro da Árvore (pág.17)
Por entre os ramos e as sombras sem tristeza
em claro e sonâmbulo vagar
mais baixo do que o dia com suas lâmpadas de espuma
em abóbadas de sombra entre o verde e a cinza.
Era a terra do sono e da solidão e da partilha
e a respiração da ausência. O destino
era próximo da mesa da folhagem, a sede
calma. E o sentido era um sonho
que se encarnava num flanco aberto.
Porque nascíamos em núpcias transparentes
com o ar adormecido num meio dia completo.
Porque no fundo escuro amávamos a altura verde
e recebíamos a frescura de uns dedos ignorados.
editora
in-libris
sociedade para a promoção do livro e da cultura
Antonio Gamoneda
Antonio Gamoneda nasceu em Oviedo (Astúrias - Espanha) em 1931. Reside em León desde 1934 onde dirigiu a Fundación Sierra-Pambley. É um poeta e crítico de arte de nacionalidade espanhola. Venceu o Prémio Cervantes em 2006 e é doutor honoris causa pela Universidad de León.
Aún | Ainda (pág. 78/79)
Hay una hierba cuyo nombre no se sabe; así ha sido
mi vida.
Vuelvo a casa atravesando el invierno: olvido y luz
sobre las ropas húmedas. Los espejos están vacíos y
en los platos ciega la soledad.
Ah la pureza de los cuchillos abandonados.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Há uma erva cujo nome não se sabe; assim foi a
minha vida.
Regresso a casa atravessando o Inverno: esquecimento
e luz sobre as roupas húmidas. Os espelhos estão
vazios e nos pratos cega a solidão.
Ah a pureza das facas abandonadas.
Sábado | Sábado (pág. 136/137)
Estoy desnudo ante el agua inmóvil. He dejado mi
ropa en el silencio de las últimas ramas.
Esto era el destino:
llegar al borde y tener miedo de la quietud del agua.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Estou nu diante da água imóvel. Deixei minha roupa
no silêncio dos últimos ramos.
Isto era o destino:
chegar à margem e ter medo da quietude da água.
antonio gamoneda
livro do frio
trad. de José bento
assírio & alvim
1999
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Naum Gabo
Naum Gabo fotografado por Rudolf Burckhardt.
Naum Gabo nasceu em Briansk (Rússia) em 1890 e faleceu em Waterbury (EUA) em 1977. Foi um escultor de nacionalidade russa que se destacou no movimento do Construtivismo russo, caracterizado pela realização de arte com base em materiais industriais.
http://www.naum-gabo.com
Naum Gabo fotografado por Rudolf Burckhardt.
Naum Gabo nasceu em Briansk (Rússia) em 1890 e faleceu em Waterbury (EUA) em 1977. Foi um escultor de nacionalidade russa que se destacou no movimento do Construtivismo russo, caracterizado pela realização de arte com base em materiais industriais.
http://www.naum-gabo.com
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Al Berto
Al Berto, pseudónimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares, nasceu em Coimbra em 1948 e faleceu em Lisboa em 1997. Para além de pintor e editor, foi um dos mais originais poetas portugueses das últimas duas décadas do século XX.
3ª Edição de Horto de Incêndio pela Assírio & Alvim | Fotografia de Al Berto por Paulo Nozolino
Recado
ouve-me
que o dia te seja limpo e
a cada esquina de luz possas recolher
alimento suficiente para a tua morte
vai até onde ninguém te possa falar
ou reconhecer - vai por esse campo
de crateras extintas - vai por essa porta
de água tão vasta quanto a noite
deixa a árvore das cassiopeias cobrir-te
e as loucas aveias que o ácido enferrujou
erguerem-se na vertigem do voo - deixa
que o outono traga os pássaros e as abelhas
para pernoitarem na doçura
do teu breve coração - ouve-me
que o dia te seja limpo
e para lá da pele constrói o arco de sal
a morada eterna - o mar por onde fugirá
o etéreo visitante desta noite
não esqueças o navio carregado de lumes
de desejos em poeira - não esqueças o ouro
o marfim - os sessenta comprimidos letais
ao pequeno-almoço
Al Berto
Assírio & Alvim 1997
http://assirioealvim.blogspot.com/
Al Berto, pseudónimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares, nasceu em Coimbra em 1948 e faleceu em Lisboa em 1997. Para além de pintor e editor, foi um dos mais originais poetas portugueses das últimas duas décadas do século XX.
3ª Edição de Horto de Incêndio pela Assírio & Alvim | Fotografia de Al Berto por Paulo Nozolino
Recado
ouve-me
que o dia te seja limpo e
a cada esquina de luz possas recolher
alimento suficiente para a tua morte
vai até onde ninguém te possa falar
ou reconhecer - vai por esse campo
de crateras extintas - vai por essa porta
de água tão vasta quanto a noite
deixa a árvore das cassiopeias cobrir-te
e as loucas aveias que o ácido enferrujou
erguerem-se na vertigem do voo - deixa
que o outono traga os pássaros e as abelhas
para pernoitarem na doçura
do teu breve coração - ouve-me
que o dia te seja limpo
e para lá da pele constrói o arco de sal
a morada eterna - o mar por onde fugirá
o etéreo visitante desta noite
não esqueças o navio carregado de lumes
de desejos em poeira - não esqueças o ouro
o marfim - os sessenta comprimidos letais
ao pequeno-almoço
Al Berto
Assírio & Alvim 1997
http://assirioealvim.blogspot.com/
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Liszt Totentanz
É catártica e suprema esta música.
(basta clicar no título para ter acesso à magnífica interpretação da pianista clássica ucraniana Valentina Lisitsa.
Franz Liszt nasceu em 1811 em Doborján, Reino da Hungria, (hoje Áustria) e faleceu em 1886 em Bayreuth, (Alemanha). Foi um compositor e pianista da Era Romântica.
Liszt foi genial na obra que legou à humanidade, revolucionou o estilo musical na época em que viveu tendo desenvolvido com virtuosismo a técnica de tocar piano.
É considerado o maior pianista do século XIX.
(basta clicar no título para ter acesso à magnífica interpretação da pianista clássica ucraniana Valentina Lisitsa.
Franz Liszt nasceu em 1811 em Doborján, Reino da Hungria, (hoje Áustria) e faleceu em 1886 em Bayreuth, (Alemanha). Foi um compositor e pianista da Era Romântica.
Liszt foi genial na obra que legou à humanidade, revolucionou o estilo musical na época em que viveu tendo desenvolvido com virtuosismo a técnica de tocar piano.
É considerado o maior pianista do século XIX.
Tadao Ando
Tadao Ando nasceu em 1941 em Osaka (Japão). É um arquitecto japonês e professor emérito da Universidade de Tóquio.
Em 1995 foi distinguido com o Prémio Pritzker no valor de cem mil dólares.
Não deixo de referir que é de enobrecer o gesto de Tadao Ando visto que doou esse dinheiro para os órfãos do Terramoto de Kōbe.
Algumas imagens da obra arquitectónica de Tadao Ando.
http://www.andotadao.org/
Tadao Ando nasceu em 1941 em Osaka (Japão). É um arquitecto japonês e professor emérito da Universidade de Tóquio.
Em 1995 foi distinguido com o Prémio Pritzker no valor de cem mil dólares.
Não deixo de referir que é de enobrecer o gesto de Tadao Ando visto que doou esse dinheiro para os órfãos do Terramoto de Kōbe.
Algumas imagens da obra arquitectónica de Tadao Ando.
http://www.andotadao.org/
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Shinichi Maruyama
Shinichi Maruyama nasceu em 1968 em Nagano (Japão). É engenheiro de imagem formado pela Chiba University e vive desde 2003 em New York (USA). Actualmente é artista plástico.
Maruyama cria esculturas de água, captadas através de uma câmera Phase One P45 que congela a imagem por breves segundos, dando origem a estas magníficas esculturas e fotografias.
http://www.shinichimaruyama.com
Shinichi Maruyama nasceu em 1968 em Nagano (Japão). É engenheiro de imagem formado pela Chiba University e vive desde 2003 em New York (USA). Actualmente é artista plástico.
Maruyama cria esculturas de água, captadas através de uma câmera Phase One P45 que congela a imagem por breves segundos, dando origem a estas magníficas esculturas e fotografias.
http://www.shinichimaruyama.com
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